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08.05 Gradação dos Adjetivos

Dois são os graus do adjetivo: o comparativo e o superlativo.

A gradação pode ser expressa em português por processos sintáticos ou morfológicos.

Comparativo

O comparativo pode indicar:

  • a) que um ser possui determinada qualidade em grau superior, igual ou inferior a outro:

  •     Paulo é mais estudioso do que Álvaro.
        Álvaro é tão estudioso como [ou quanto] Pedro.
        Álvaro é menos estudioso do que Paulo.

  • b) que num mesmo ser determinada qualidade é superior, igual ou inferior a outra que também possui:

  •     Paulo é mais inteligente que estudioso.
        Pedro é tão inteligente quanto estudioso.
        Álvaro é menos inteligente do que estudioso.

Daí a existência de um comparativo de superioridade, de um comparativo de igualdade e de um comparativo de inferioridade.

Superlativo

O superlativo pode denotar:

  • a) que um ser apresenta em elevado grau determinada qualidade (superlativo absoluto):

  •     Paulo é inteligentíssimo.
        Pedro é muito inteligente.

  • b) que, em comparação à totalidade dos seres que apresentam a mesma qualidade, um sobressai por possuí-la em grau maior ou menor que os demais (superlativo relativo):

  •     Carlos é o aluno mais estudioso do Colégio.
        João é o aluno menos estudioso do Colégio.

No primeiro exemplo, o superlativo relativo é de superioridade; no segundo, de inferioridade.

Formação do grau comparativo

  • 1. Forma-se o comparativo de superioridade antepondo-se o advérbio mais e pospondo-se a conjunção que ou do que ao adjetivo:

  •     Pedro é mais idoso do que Carlos.
        João é mais nervoso que desatento.

  • 2. Forma-se o comparativo de igualdade antepondo-se o advérbio tão e pospondo-se a conjunção como ou quanto ao adjetivo:

  •     Carlos é tão jovem como Álvaro.
        José é tão nervoso quanto desatento.

  • 3. Forma-se o comparativo de inferioridade antepondo-se o advérbio menos e pospondo-se a conjunção que ou do que ao adjetivo:

  •     Paulo é menos idoso que Álvaro.
        João é menos nervoso do que desatento.

Os exemplos mostram que, assim como se compara uma qualidade entre dois seres, pode-se comparar duas qualidades num mesmo ser.

Formação do grau superlativo

Vimos que há duas espécies de superlativo: o absoluto e o relativo.

O superlativo absoluto pode ser:

  • a) sintético, se expresso por uma só palavra (adjetivo+ sufixo):
  • amicíssimo facílimo salubérrimo
  • b) analítico, se formado com a ajuda de outra palavra, geralmente um advérbio indicador de excesso — muito, imensamente, extraordinariamente, excessivamente, grandemente, etc.:
  • muito estudioso excessivamente fácil
    imensamente triste extraordinariamente salubre
    grandemente prejudicial excepcionalmente cheio

Superlativo absoluto sintético

  • 1. Forma-se pelo acréscimo ao adjetivo do sufixo -íssimo:
  • fértil fertilíssimo
    vulgar vulgaríssimo

    Se o adjetivo terminar em vogal, esta desaparece ao aglutinar-se o sufixo:

    belo belíssimo
    triste tristíssimo
  • 2. Muitas vezes o adjetivo, ao receber o sufixo -íssimo, reassume a primitiva forma latina. Assim:
    • a) os adjetivos terminados em -vel formam o superlativo em -bilíssimo:
    • amável amabilíssimo
      volúvel volubilíssimo
    • b) os terminados em -z fazem o superlativo em -císsimo:
    • capaz capacíssimo
      atroz atrocíssimo
    • c) os terminados em vogal nasal (representada com -m gráfico) formam o superlativo em -níssimo:
    • bom boníssimo
      comum comuníssimo
    • d) os terminados no ditongo -ão fazem o superlativo em -aníssimo:
    • vão vaníssimo
      pagão paganíssimo
  • 3. Não raro a forma portuguesa do adjetivo difere sensivelmente da latina, da qual se deriva o superlativo. Assim:
  • normal superlativo normal superlativo
    amargo amaríssimo magnífico magnificentíssimo
    amigo amicíssimo maléfico maleficentíssimo
    antigo antiquíssimo malévolo malevolentíssimo
    benéfico beneficentíssimo miúdo minutíssimo
    benévolo benevolentíssimo nobre nobilíssimo
    cristão cristianíssimo pessoal personalíssimo
    cruel crudelíssimo pródigo prodigalíssimo
    doce dulcíssimo sábio sapientíssimo
    fiel fidelícissimo sagrado sacratíssimo
    frio frigidíssimo simples simplicíssimo ou simplíssimo
    geral generalíssimo soberbo superbíssimo
    inimigo inimicíssimo    

    Observação:

    Em lugar das formas superlativas seriíssimo, necessariíssimo e outras semelhantes, a língua atual prefere seríssimo, necessaríssimo, com um só i.

  • 4. Também os superlativos em -imo e -rimo representam simples formações latinas. Com exclusão de facílimo, dificílimo e paupérrimo (superlativos de fácil, difícil e pobre), que pertencem à linguagem coloquial, são todos de uso literário e um tanto precioso. Anotem-se os seguintes:
  • normal superlativo normal superlativo
    acre acérrimo negro nigérrimo (ou negríssimo)
    célebre celebérrimo pobre paupérrimo (ou pobríssimo)
    humilde humílimo (ou humildíssimo) provável probabilíssimo
    íntegro integérrimo sábio sapientíssimo
    livre libérrimo salubre salubérrimo
    magro macérrimo (ou magríssimo)    

Superlativo relativo

O superlativo relativo é sempre analítico.

O de superioridade forma-se antepondo-se o mais e pospondo-se de ou dentre ao adjetivo:


    Este aluno é o mais estudioso de todos.
    O mais alegre dentre os colegas era Ricardo.

O de inferioridade forma-se antepondo-se o menos e pospondo-se de ou dentre ao adjetivo:

    Este aluno é o menos estudioso de todos.
    O menos alegre dentre os colegas era Joaquim.

Outras formas de superlativo

Pode-se formar também o superlativo com:

  • a) o acréscimo de um prefixo, como arqui-, extra-, hiper-, super-, ultra-, etc.: arquimilionário, extrafino, hipersensível, superexaltado, ultrarrápido.

  • b) a repetição do próprio adjetivo:
  •     Teus olhos são negros, negros,
        Como as noites sem luar... (C. Alves)

  • c) uma comparação breve:
  • — Isso é claro como água [= Isso é claríssimo]. (C. Soromenho)


  • d) certas expressões fixas, como podre de rico [= riquíssimo], de mão-cheia [= excelente], e outras semelhantes.
  • Zorilda era uma pianista de mão-cheia. (H. Sales)


Comparativos e superlativos anômalos

Quatro adjetivos — bom, mau, grande e pequeno — formam o comparativo e o superlativo de modo especial:

adjetivo comparativo de superioridade superlativo
    absoluto relativo
bom melhor ótimo o melhor
mau pior péssimo o pior
grande maior máximo o maior
pequeno menor mínimo o menor

Observações:

  • 1ª) Quando se compara a qualidade de dois seres, não se deve dizer mais bom, mais mau, mais grande nem mais pequeno; e sim: melhor, pior, maior e menor. Possível é, no entanto, usar as formas analíticas desses adjetivos quando se confrontam duas qualidades do mesmo ser:

  •     Ele foi mais mau do que desgraçado.
        Ele é bom e inteligente; mais bom do que inteligente.,

  • 2ª) A par de ótimo, péssimo, máximo e mínimo, existem os superlativos absolutos regulares: boníssimo e muito bom, malíssimo e muito mau, grandíssimo e muito grande, pequeníssimo e muito pequeno.

  • 3ª) Grande e pequeno possuem dois superlativos: o maior ou o máximo e o menor ou o mínimo.

  • 4ª) Alguns comparativos e superlativos não têm forma normal usada:

  • comparativo superlativo
    superior supremo ou sumo
    inferior ínfimo
    anterior -
    posterior póstumo
    ulterior último

    As formas superior e inferior, supremo (ou sumo) e ínfimo podem ser empregadas como comparativo e superlativo de alto e baixo, respectivamente.

    Adjetivos que não se flexionam em grau

    Muitos adjetivos não apresentam a ideia de grau porque o próprio significado não o permite. Entre outros: anual, mensal, semanal, diário, hodierno, casado, solteiro, eterno, unânime, perpétuo, áureo.

    Para que um adjetivo tenha comparativo e superlativo, é necessário, por conseguinte, que o seu sentido admita variação de intensidade.